Kiro Powers são pacotes que ensinam o agente do Kiro a trabalhar com um serviço ou framework específico e só entram em ação quando a tarefa pede. O agente usa as ferramentas certas sem carregar dezenas de servidores MCP no contexto.
O Kiro lançou os powers em dezembro de 2025 para resolver um problema de contexto. Segundo o blog do Kiro, cinco servidores MCP podem consumir mais de 50 mil tokens, cerca de 40% da janela, antes do primeiro prompt. Esse excesso deixa o agente mais lento e piora as respostas.
Na consulta de 21/10/2026, o registro de powers listava 76 itens, de parceiros como Datadog, HashiCorp e Stripe e da própria AWS. Este artigo mostra como os Kiro Powers funcionam, quais sete valem o seu tempo para AWS e como instalar, criar e usar com segurança.
Kiro Powers rapidamente
- Um power empacota ferramentas MCP, skills e orientações para um serviço.
- Ele é carregado por palavra-chave, não o tempo todo.
- Para AWS há powers de IaC, observabilidade, IAM, bancos de dados e operações.
- A instalação leva um clique, ou um link do GitHub, ou uma pasta local.
- Powers com MCP agem com as suas credenciais: revise antes de instalar.
Como os Kiro Powers funcionam
Um power é um diretório com um manifesto obrigatório e componentes opcionais, segundo a documentação de powers:
plugin.json: identifica o power e declara as palavras-chave que o ativam.mcp.json: configura os servidores MCP do power.skills/: instruções por tarefa, com scripts e referências opcionais.
Powers criados no formato antigo, com POWER.md, continuam funcionando. A documentação atual recomenda o formato Agent Plugins para os novos.
Ativação por palavra-chave
Quando você descreve uma tarefa, o Kiro lê o texto, compara com os powers instalados e carrega só os relevantes. No exemplo do blog do Kiro, falar em banco de dados ativa o power da Neon. Ao passar para deploy, o da Netlify entra e o da Neon sai.
Com o power da HashiCorp é igual: mencionar Terraform, infraestrutura ou deploy o ativa, e as ferramentas ficam fora do contexto no resto do tempo.

Power, steering, hooks ou specs?
O Kiro tem vários recursos que parecem se sobrepor. Esta é a divisão prática, de acordo com o guia da AWS sobre produção com Kiro:
- Power: integração com um serviço, carregada sob demanda.
- Steering: padrões e convenções do projeto, sempre disponíveis.
- Hooks: automações disparadas por eventos, como salvar um arquivo.
- Specs: planejamento em requisitos, design e tarefas.
7 Kiro Powers para trabalhar com AWS
Escolhi sete powers que cobrem o ciclo de uma equipe de operação: provisionar, observar, investigar, proteger e cuidar dos dados. A seleção é minha, e o registro tem outros. As descrições vêm do repositório oficial de powers e dos anúncios da AWS.
1. AWS MCP
Resolve tarefas AWS de várias etapas com documentação, chamadas de API e workflows prontos. Use como base quando a tarefa atravessa mais de um serviço.
2. CDK e CloudFormation
O power “Build AWS infrastructure with CDK and CloudFormation” traz orientação de CDK e CloudFormation, validação de templates, checagens de segurança e ajuda para diagnosticar falhas de deploy. É o caminho mais curto para quem já versiona infraestrutura na AWS.
3. Terraform, da HashiCorp
O power “Deploy infrastructure with Terraform” cobre módulos do registry e o HCP Terraform. Ele foi um dos lançamentos com parceiros da HashiCorp e ativa quando o prompt cita Terraform ou deploy.
4. AWS Observability
É o power mais próximo da rotina de NOC. O anúncio de 24/02/2026 descreve quatro servidores MCP: CloudWatch, Application Signals, CloudTrail e AWS Documentation.
Ele inclui oito guias de steering, sobre resposta a incidentes, alertas, performance, auditoria de segurança e análise de lacunas, e uma análise automática que aponta instrumentação faltando. Está disponível em todas as regiões, mas cada servidor depende do suporte regional do seu serviço.
Se os seus clusters rodam no EKS, veja também o meu artigo mais recente, o que muda no Kubernetes 1.37 antes do upgrade, porque as mudanças nas métricas afetam alarmes e dashboards.
5. AWS DevOps Agent
Agente de operações para investigar incidentes, otimizar custos, revisar arquitetura e testar releases. Combine com o power de observabilidade para ir do alarme à hipótese de causa.
6. IAM Policy Autopilot
O IAM Policy Autopilot é uma ferramenta open source de análise estática de código que gera políticas IAM base a partir da sua aplicação. O power foi anunciado em 23/02/2026.
Trate a saída como ponto de partida e revise com least privilege antes de aplicar.
7. Aurora MySQL
O power do Aurora MySQL, anunciado em 27/05/2026, conecta o agente ao banco para consultas, criação de tabelas e gestão de esquema. Também cria e administra clusters por linguagem natural.
O power carrega orientações para escalar o Aurora Serverless, migrar do RDS MySQL para o Aurora MySQL e configurar replicação. Criar cluster gera cobrança, então confirme o plano do agente antes de aprovar.

Como instalar Kiro Powers
O Kiro oferece quatro caminhos, descritos na página de instalação.
- Pelo site: abra kiro.dev/powers, escolha o power, clique em Add to Kiro e conclua no Kiro IDE, que abre sozinho.
- Pelo IDE: abra o painel de powers (ícone do Ghosty com um raio), procure em Available Powers e clique em + Install. O botão Try the power roda o onboarding.
- Por GitHub: em Add Custom Power, escolha Import power from GitHub e informe a URL do repositório.
- Por pasta local: clone o repositório, escolha Import power from a folder e aponte para o diretório com
plugin.jsonouPOWER.md.
Para atualizar, abra o power no painel, clique em Check for updates e depois em Install updates.
Um detalhe que importa para quem audita o ambiente: nos powers com plugin.json, os servidores MCP são gerenciados internamente e não aparecem em ~/.kiro/settings/mcp.json. No formato antigo, com POWER.md, eles são registrados nesse arquivo.
Como criar seu próprio Kiro Power
Criar um power é empacotar o que o seu time repete todo dia. Para um NOC, um bom começo é um runbook de triagem de alarmes. Segue o passo a passo da documentação de criação.
Estrutura mínima
noc-runbooks/
├── plugin.json
├── mcp.json # opcional
└── skills/
└── triagem-de-alarme/
└── SKILL.md
plugin.json
Os campos obrigatórios são $schema, name, version, description, author e keywords. O name usa kebab-case, e mudar o nome depois da instalação pode exigir reinstalar o power.
{
"$schema": "https://agent-plugins.org/schemas/1.0.0/plugin.schema.json",
"name": "noc-runbooks",
"version": "1.0.0",
"description": "Runbooks de triagem de alarmes para o NOC",
"author": { "name": "Seu Nome" },
"keywords": ["alarme", "incidente", "runbook", "cloudwatch"]
}
Escolha keywords que as pessoas realmente digitam. É o que decide quando o power entra em cena.
SKILL.md
---
name: triagem-de-alarme
description: Passos para triar um alarme do CloudWatch antes de escalar
---
1. Identifique a conta, a região e o recurso do alarme.
2. Verifique se houve deploy ou mudança nas últimas 2 horas.
3. Consulte as métricas do recurso nos últimos 60 minutos.
4. Se o impacto for confirmado, escale para o on-call com o resumo.
mcp.json (opcional)
Use variáveis de ambiente para segredos. Nunca grave chaves no arquivo.
{
"$schema": "https://agent-plugins.org/schemas/1.0.0/mcp.schema.json",
"mcpServers": {
"meu-servidor": {
"type": "stdio",
"command": "uvx",
"args": ["<PACOTE_DO_SERVIDOR_MCP>"],
"env": { "AWS_PROFILE": "${AWS_PROFILE}" }
}
}
}
Testar e compartilhar
- Abra o painel de powers e use Add Custom Power > Import power from a folder.
- Digite uma frase com as suas keywords e confirme que o power ativou.
- Publique em um repositório público do GitHub para o time instalar por URL.
Armadilhas e segurança com Kiro Powers
Os Kiro Powers economizam contexto, mas trazem riscos que uma equipe de operação precisa tratar antes de liberar o uso.
- A ativação depende das suas palavras. Se o prompt não tiver a keyword certa, o power pode não carregar. Cite o serviço pelo nome.
- Um domínio por vez. Em tarefas que cruzam vários domínios, o Kiro alterna entre powers conforme o assunto muda.
- Credenciais são suas. Um power com MCP executa ações com as credenciais do ambiente. Para investigar incidentes, use um perfil AWS somente leitura.
- Powers de terceiros pedem revisão. A documentação não descreve como powers da comunidade são verificados. Leia o
plugin.json, omcp.jsone os scripts deskills/antes de instalar. - Compatibilidade. No lançamento, os powers funcionavam só no Kiro IDE. A documentação atual fala em clientes compatíveis com a especificação Agent Plugins, sem citar quais. Teste antes de contar com isso.
- Custo. Ações que criam recursos, como um cluster Aurora, geram cobrança na AWS. Leia o plano do agente antes de aprovar.
As duas primeiras armadilhas vêm do guia da AWS sobre Kiro. As demais são recomendações de operação minhas.
Conclusão
Os Kiro Powers resolvem um problema concreto: dar ao agente o conhecimento de um serviço sem pagar o custo de contexto o tempo todo. Para AWS, os sete powers acima cobrem infraestrutura, observabilidade, IAM e banco de dados.
O ponto de atenção é o acesso. Instale só o que você revisou e rode com permissões mínimas.
Próximo passo: instale o AWS Observability em uma conta de teste e peça uma análise de lacunas de instrumentação de um serviço. Em seguida, empacote o seu primeiro runbook como power.
Referências
- Introducing Kiro powers (Kiro)
- Powers: documentação (Kiro)
- Instalação de powers (Kiro)
- Criação de powers (Kiro)
- Registro de powers (Kiro)
- Repositório kirodotdev/powers (GitHub)
- HashiCorp is a Kiro powers launch partner
- AWS Observability now available as a Kiro power (AWS)
- IAM Policy Autopilot como Kiro Power (AWS)
- Amazon Aurora MySQL e Kiro Powers (AWS)
- Building Production-Ready Agents with Kiro (AWS Builder Center)



