A nuvem não falha, empresas mal lideradas sim

Escrevo este artigo depois de anos sentada em reuniões com CEOs que dizem querer inovação, mas se assustam quando a tecnologia começa a revelar verdades desconfortáveis.

Sou líder comercial na área de TI e falo com propriedade. A nuvem não destrói empresas. Ela expõe lideranças frágeis, modelos de gestão ultrapassados e decisões adiadas por tempo demais.

A nuvem não é cara. A má gestão é.

Um dos discursos mais comuns que escuto no nível executivo é que a nuvem ficou cara demais.
Na prática, o que ficou caro foi continuar sustentando ambientes sem dono, projetos sem retorno e sistemas que ninguém tem coragem de desligar.

Quando a empresa migra para a nuvem, tudo passa a ter custo mensurável. Cada ambiente, cada recurso, cada erro.
Isso assusta porque, pela primeira vez, a TI deixa de ser uma caixa-preta.

Empresas que não suportam essa transparência costumam culpar a tecnologia. As maduras usam os dados para decidir.

A nuvem acaba com o conforto do improviso

Durante anos, muitas áreas de TI sobreviveram no improviso: ajustes manuais, exceções não documentadas, decisões tomadas na urgência.

A nuvem exige processo, disciplina e responsabilidade.
Ou existe governança, ou existe desperdício.
Ou existem donos claros, ou existem custos fora de controle.
Não há meio-termo.

O impacto real para o CEO não é técnico. É político.

Poucos admitem isso abertamente.
A nuvem redistribui poder dentro da organização.
Ela obriga o CEO a integrar TI, financeiro e negócio em uma mesma conversa.
Ela tira decisões do campo da opinião e leva para o campo do dado.

Para algumas lideranças, isso é libertador. Para outras, é ameaçador.

Segurança não é argumento. É responsabilidade.

Quando um executivo diz que não confia na nuvem por segurança, normalmente o que ele está dizendo é que não confia na própria operação.

Os maiores incidentes que acompanhei não foram causados por provedores de nuvem, mas por permissões excessivas, falta de revisão e ausência de política.

A nuvem não protege empresas desorganizadas. Ela cobra maturidade.

TI não quer mais manter sistemas. Quer mover o negócio.

O maior erro estratégico que vejo é usar profissionais altamente qualificados para manter ambientes que não geram vantagem competitiva.

Na nuvem, a TI deixa de ser operadora e passa a ser decisora.
Isso exige mudança de perfil, investimento em pessoas e, principalmente, apoio executivo.

Sem isso, a nuvem vira apenas um datacenter mais caro.

Uma mulher dizendo o que muitos evitam

Ser mulher na área de TI me ensinou a ser objetiva.
Não há espaço para discurso vazio quando você precisa provar resultado todos os dias.

Talvez por isso eu veja a nuvem com tanta clareza.
Ela não aceita ego, improviso nem promessas.
Ela valoriza quem governa, quem mede e quem decide.

A pergunta que todo CEO deveria se fazer

A pergunta não é se sua empresa está pronta para a nuvem.
A pergunta é se sua liderança está pronta para a transparência que ela traz.

Porque a nuvem não falha.
Ela apenas revela.

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Sobre o autor
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Fabrícia Abreu

Líder comercial na área de TI, vivo entre reuniões, dados e decisões difíceis. Escrevo sobre nuvem, governança e transformação digital do jeito que elas realmente são, sem mistério e sem romantização. Gosto de provocar boas reflexões, traduzir tecnologia para o negócio e lembrar que, no fim, são as pessoas que fazem tudo funcionar.

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